preto & branco
As setas apontam-me o caminho. Para casa, espero. Se não for para casa, então que me mostrem que há mais no mundo que alcatrão e setas e linhas. Que nem tudo é preto e branco.
Pespegado por andré pelas 00:15 0 Tropeções
"Love. We all want it. Don't all get it. I remember telling my mother in high school I wanted to wait for the perfect girl. And she replied, "Idiot! Even if you found her, she might be holding out for the perfect man." She also said I wouldn't recognize love unless it bonked me on the head. And I retorted, "Well, why don't you come along with me, mom, and if you see love, you hit me on the head so I'll know." It was difficult as a young man taking my mother on dates. And then, one night, not a date night, but just one evening, I turned to my mom and, as i looked into her eyes, I could see... she was dead. She'd passed on quietly from an aneurysm, right there at the table. All she said was, "Ip." Sitting in a chair: a quiet little "Ip". It was her request to have her last words put on her tombstone. And I see people at the cemetery snickering when they read: "Joanna Cage. Beloved Mother. Ip." I miss my mother. Even though she's not here... I know she's still with me, smiling down on me... hoping I'll find love."
Pespegado por andré pelas 16:25 0 Tropeções
"Queres parar?"
Merda para isso. Também não ias dizer que sim, gosto disso. Agora parece tão simples, fácil até.
O sol nascia por entre as árvores antes escuras, sombrias e tristes.Pespegado por andré pelas 21:23 2 Tropeções
A felicidade de que depende? Num espectro mais alargado, o nosso futuro, a nossa vida, o que a pode mudar?
Não é uma questão de sorte. Nem de prudência, sensatez, paz ou equilíbrio. Não se trata sequer de fama.
A meu ver, tudo depende do timming correcto. Agir de forma certa, no momento exacto, deve ser extremamente difícil. Pelo menos é o que se me sugere, visto que esta não é uma qualidade que abunda na minha pessoa.
Quantas vezes deixamos escapar a oportunidade perfeita devido à ausência desta característica? E mesmo aqueles têm este estupendo atributo, quantas vezes se enganaram? Porque, para consolidar a inconstância da vida, nem sempre aquele sentimento é acertado, nem sempre as nossas decisões e palpites acertam no ponto esperado. E todos sabemos quanto custa essa desilusão.
“E eu, que não sou menos filho das divindades”, como diz PC, gostava de compreender como se alcança tamanho talento. Será uma questão de feeling? E se for, como descobrimos o verdadeiro e como nunca o perder? Não sei… talvez não passe tudo duma questão de genes ou até um problema glandular… infelizmente para mim, deve ser tarde de mais para mudar.
Por hoje, por agora, vou parar de pensar nisso e aproveitar os últimos dias de calor aconchegante. Abandono a pergunta sobre a passagem do meu timming perfeito, pois se já o perdi, então nada posso fazer…
Ou posso?...
Pespegado por andré pelas 15:36 0 Tropeções
"(...) O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Depois disto a única palavra que me vem à cabeça é mesmo esmerding...
Pespegado por andré pelas 21:23 0 Tropeções
O tempo tem rareado e a insipidez mental abunda pelos cantos desta cabeça.
É só uma maneira simpática de dizer que tou vivo e isto não morreu. Quando as coisas mudarem, voltarei. Ou seja, no dia em que o vento deixar o espaço entre as minhas orelhas e voltar a rastejar para lá a minha massa cinzenta (por favor, se alguém a viu é favor informar o proprietário), aparecerá algo, qualquer coisa. Decente, espero.
Entretanto, e para gáudio de muitos, isto é como outra qualquer construção lisboeta embargada: ninguém sabe porquê, nem durante quanto tempo estará assim.
Pespegado por andré pelas 21:04 0 Tropeções
Perguntam-me porque o faço, porque trabalho por tão pouco, porque abdico de noitadas e copos e cafés e cinema, porque me afasto dos amigos que me custam tanto manter e com quem gosto de dizer porcarias e ter conversas psedo filosóficas ou de, pura e simplesmente, ter tempo para relaxar.
A resposta era sempre algo nublada, distorcida mesmo, não posso, porém, deixar de dizer que havia um gosto que superava a quantia monetária que me esperava. Pensava também que o fazia porque era diferente, inovador, que fazia de mim uma melhor pessoa. Mas olhando para trás consigo entender o que a solução era muito mais simples. Ontem desvendei-a ou se calhar já a sabia mas só ontem se mostrou de forma clara. O que me faz abdicar, o que me leva a fazer o que poucos querem fazer. Por fim, descobri. A resposta era mais simples do que parecia, só que eu tinha o sol na cabeça e os pés cheios de areia e não a conseguia vislumbrar.
É o tornar-me um deles, ter outra vez doze, treze, catorze anos. É voltar a ter um riso solto, livre, mas acima de tudo, é voltar a ser inocente. Pensar que as minhas decisões mais complicadas são a escolha entre futebol e deveres. Ou que o meu maior medo é a voz esganiçada da professora que berra comigo por tudo e por nada. E agora, pelo menos por uma semana, não olho para trás, mas revejo-me neles. Sinto-me mais vivo e o riso soltou-se outra vez, duma maneira que alguns chamariam infantil. Isto dá-me mais anos de vida, fico feliz e consigo recordar que há não tanto tempo atrás fui como eles: totalmente feliz, por mais do que pequenos segundos. É adorar sem receios. É não ter medo de gostar de alguém. É não se inquietar sobre o futuro, perspectivar felicidade desmesurada. Alguns conseguem ser ainda melhores. Preocupam-se sem ter interesse, ajudam por saber que isso é correcto e dão uma mão ou um ombro a quem necessita.
Isto tudo para dizer que gostei e gosto muito de vocês. Obrigado putos!!
Pespegado por andré pelas 23:43 2 Tropeções
Porque esta é só mais uma história de alguém que queria voar, mas que nunca aprendeu como. Por isso escondi as asas, por baixo de folhas de preconceito e de desprezo. Montei a fachada. Acabou por se colar à cara, sem nunca mais a ter conseguído tirar. Tu olhas e dizes "é triste...". Não discordo.
Normalmente é assim quando se toma consciência ou quando acaba a inconsciência duma certa idade da vida. Já me disseram que sou uma alma velha. Não posso deixar de afirmar que estavas errado. Sou um puto, não passo disso. Chateio-me. Embirro. Amuo. Faço trinta por uma linha para conseguir atingir aquilo a que me proponho.
Às vezes, nos dias menos maus, sinto o sol. Bate-me na carapaça que criei para me defender do que dizem e do que é. Afastei-me totalmente do real. Faço filmes de cabeça. Crio lendas e mitos. E não sou aquele que cria ser. Nem aquele que desejava, mas isso tornou-se banal. Abandonar o ringue mesmo antes de lutar. As luvas, essas, ainda as tenho nas mãos. Já se mexem sozinhas, prevendo o próximo golpe e encontrando adversário seguinte. Eu.
Por mim, acabou, não quero mais nada. Mas não hesito em deixar-te uma só pergunta: se tivesses uma oportunidade para mudar uma coisa e uma apenas, o que farias?
Pespegado por andré pelas 23:20
"Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura..."
Parti daqui. O resto não interessa e o que pensei até poderá soar bem agora, mas será contrariado, serei desmentido, serei chamado de louco, por aquele que no farão do futuro algo mais brilhante. Algo que neste momento (me) parece impossível.
Ainda sou forçado a acreditar que não passamos de homens com fogo, que não sabem o que fazer com esse fantástico elemento. Existe por aí talento, pode estar oculto ou não ser reconhecido mas existe. Mas mesmo assim, não sabemos o que fazer com ele. Normalmente, aqueles que possuem algum talento, são castigados, que nem Prometeu que ousou roubar o fogo sagrado.
Se pensarmos bem, quantos houve que passaram pela vida e viram ser-lhes concedida a graça do reconhecimento? Neste país à beira mar plantado, podíamos contá-los pelos dedos das mãos. Talvez bastasse uma mão. Temos falta de vontade e medo do que é novo e desafia as convenções estabelecidas, pelo menos foi esta a conclusão a que cheguei.
Apesar disso, acredito em nós. Acho que não pode piorar muito mais e creio que certo dia nos ergueremos das cinzas, como uma Fénix que apenas precisa de tempo para renascer.
E por isto, acredito que há salvação, pois como disse um português, cujas obras só foram aceites e compreendidas (achamos nós...) depois de morto:
Pespegado por andré pelas 23:23 0 Tropeções
"Não é por estar com a neura, nem é porque hoje me deu uma coisinha má. Não é porque a música toca e eu finjo que ouço. É agora porque me apetece, assim, sem mais nem menos.
Por isso, afasto-me, ou pelo menos tento, das realidades pré-fabricadas. Se for preciso mando pró ar um palavrão mal parido, sem explicação nenhuma. Porque me apetece. E tu não és melhor, porque me mandas calar, ou porque lês este texto com desprezo, mesmo sem saberes do que fala, mesmo sem pensares. Depois disto, ainda te achas muito melhor que os outros? Se calhar, também tentas desvendar um livro pela capa. Fá-lo? Pois... então és tão bom como aqueles que criticas e não fazes muito por mudar. Se calhar, eu que escrevo sou tão hipócrita como tu, só que passo despercebido porque sei que se deixar de tentar fazer melhor, o mais provável é regredir novamente.
Se errar, errei. Problema meu. Erro meu. Aprendizagem minha, e se fores suficientemente inteligente, talvez também a possas usar. Mas isso é só se chegares aqui, porque a esta altura já deves ter achado que o teu tempo é demasiado valioso para estes míseros bits, que se calhar até é, quem sabe? Podias estar a contribuir para o PIB, mas em vez disso continuas a ler este texto de merda. Então o que é que continuas aqui a fazer?
Como já tão inteligentemente descobriste não sou perfeito, nem preciso de ser, nem o que faço tem de o ser, mas a meu ver isso vale tanto como a tua opinião: nada. Até podia fazer tudo mal e ser o maior palhaço a por pé neste planeta, mas isso, bem como a tua opinião, não interessa. Acho que é tudo. Já está."
Fim de cena.
Pespegado por andré pelas 22:47 0 Tropeções
Porque não devia ser assim. Esta época, devia ser um tempo de entrega, dar um pouco de nós àqueles que mais necessitam de apoio nesta altura do ano, perdoem-me o cliché. Tempo de alegria para todos. Não por ser Natal, mas por as ruas de Lisboa e, porventura, do resto do país serem abrigos frágeis a este tempo gelado que vagueia por Portugal. Foi com este pensamento que decidi participar no Natal dos Sem-Abrigo, na cantina da cidade universitária, nos dias 15, 16, 17 e 18.
Não posso dizer que tenha sido algo surreal ou fantástico, como nas histórias, porque as pessoas com quem falei são de carne e osso, do mais real que há.
Por outro lado, posso dizer que é uma experiência compensadora. Principalmente quando ouvimos, já no final do último dia, uma idosa a desejar-nos que tenhamos "um terço daquilo que demos, porque já é muito!" ou uma menina de 7 anos a desejar-nos um bom natal, enquanto sai do recinto, abraçada a uma boneca que lá lhe deram. Se houvesse algo de mágico nesta experiência seria este sentimento, de tal forma poderoso que fez com que as dores desaparecem e o desânimo se transformasse em alegria.
É, no mínimo, tocante ver como por algo que muitos de nós consideramos banal, como uma t-shirt ou uma camisola, as pessoas se emocionam. Como nos tocam com um olhar, como mudam a nossa maneira de pensar. Como modificam a nossa forma de olhar para as coisas, a maneira como interpretamos esta quadra.
Não posso esquecer as coisas menos boas, porque as houve, como há sempre. Prova disso foi a singular presença de Lili Caneças, que ocupou o recinto durante duas horas, impedindo os voluntários de continuarem o seu trabalho normalmente. Tudo isto para a TVI a filmar a entregar quatro (sim, 4) mantas, com o bónus de ter necessitado de mais de três takes para gravar esse curto momento de tamanha generosidade. É de muito baixo nível (mesmo muito) usar o slogan da solidariedade para promover a sua própria imagem. Isto até poderia ser chocante, não fosse Portugal um país com um suposto jet set que faz comentários como este: "Os sem-abrigo deviam assumir a sua condição" (Paula Bobone).
Deixo um obrigado especial às pessoas que conheci e reencontrei, aqueles que participaram, pois são eles que fazem do NSA (Natal dos Sem-Abrigo) aquilo que ele é. Um espaço de solidariedade e alegria, num mundo cada vez mais virado para o eu.
Pespegado por andré pelas 23:33 0 Tropeções
É qualquer coisa que é capaz de nos fazer rir, sonhar, pensar, chorar. Isso é um bom texto.
Este é um desses:
"Ladies and Gentlemen of the class of ’97... wear sunscreen.
If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it.
The long term benefits of sunscreen have been proved by scientists; whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience.
I will dispense this advice.
Enjoy the power and beauty of your youth. Never mind. You will not understand the power and beauty of your youth until they have faded. But trust me, in 20 years you’ll look back at photos of yourself and recall in a way you can’t grasp now how much possibility lay before you and how fabulous you really looked.
You are NOT as fat as you imagine.
Don’t worry about the future; or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum. The real troubles in your life are apt to be things that never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday.
Do one thing every day that scares you.
Sing.
Don’t be reckless with other people’s hearts, don’t put up with people who are reckless with yours.
Floss.
Don’t waste your time on jealousy; sometimes you’re ahead, sometimes you’re behind. The race is long, and in the end, it’s only with yourself.
Remember compliments you receive, forget the insults; if you succeed in doing this, tell me how.
Keep your old love letters, throw away your old bank statements.
Stretch.
Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don’t.
Get plenty of calcium.
Be kind to your knees, you’ll miss them when they’re gone.
Maybe you’ll marry, maybe you won’t, maybe you’ll have children, maybe you won’t, maybe you’ll divorce at 40, maybe you’ll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary. Whatever you do, don’t congratulate yourself too much or berate yourself, either. Your choices are half chance, so are everybody else’s. Enjoy your body, use it every way you can. Don’t be afraid of it, or what other people think of it, it’s the greatest instrument you’ll ever own.
Dance.
Even if you have nowhere to do it but in your own living room.
Read the directions, even if you don’t follow them.
Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly.
Get to know your parents, you never know when they’ll be gone for good.
Be nice to your siblings; they are your best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.
Understand that friends come and go, but for the precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography in lifestyle because the older you get, the more you need the people you knew when you were young.
Live in New York City once, but leave before it makes you hard; live in Northern California once, but leave before it makes you soft.
Travel.
Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander, you too will get old, and when you do you’ll fantasize that when you were young prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.
Respect your elders.
Don’t expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund, maybe you'll have a wealthy spouse; but you never know when either one might run out.
Don’t mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will look 85.
Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it’s worth."
But trust me on the sunscreen.
Pespegado por andré pelas 22:46 0 Tropeções
Há 71 anos o mundo ficou mais pobre.
Perdemos alguém que conseguia mostrar a sua dor, sem escrever sofrer.
Conseguia falar de si, sem dizer eu. Conseguia escrever enigmas de tamanha beleza, que ainda hoje os contemplamos e passamos horas de volta deles, buscando uma solucção, tentando encontrar uma resposta, admirando a sua harmonia.
Há 71 anos o mundo perdeu um pouco da sua subtileza, as coisas tornaram-se mais lineares, mais óbvias, menos divertidas.
Ainda hoje comemoramos a sua vida, através das suas belas palavras, que nos conseguem partir o coração, ou levar-nos aos píncaros da alma, ou fazer-nos ponderar.
Há uns que têm a sorte de ter um pouco de poeta, depois há Pessoa. O génio. Inimitável.
Pespegado por andré pelas 23:42 0 Tropeções
Já há aquele sentimento de que é Natal e não é pela disputa acesa sobre o referendo do aborto, nem pelos políticos que lançam os seus livros, numa tentativa de comprar mais uma casinha no Algarve ou numa zona protegida, preferencialmente, que tenha ardido recentemente.
Na televisão vemos os inúmeros anúncios para os mais pequenos: as barbie's e as tralhas da Floribella para as miúdas e os Action Men e os Pokémon (ou o que quer que seja que agora está na moda) para o putos. Por outro lado, vemos ainda os brinquedos para os adultos, que prometem sucesso nas múltiplas facetas da vida.
O tempo também nos dá essa novidade, ultimamente de forma mais selvagem que antes, o que leva a que muitos nem pensem no Natal, mas sim no porquê de todos os anos haver cheias sempre nos mesmos sítios. Nos transportes também já se sente o espírito natalício; as pessoas andam mal-humoradas, pensam como gerir o dinheiro, como esticar o orçamento para dar ao filho, que protesta contra as aulas de substituição, aquela prenda de duzentos euros.
À porta das pastelarias cheira-se o Natal, porque nem todos o podem provar. Por detrás do balcão está um senhor gordinho, que, de alguma forma se assemelha ao Pai Natal. Quem sabe se pela cara de parvo e pelas gordas bochechas rosadas.
Na rua também os sem-abrigo e todos os menos afortunados cheiram e sentem o Natal que passa, mas que nunca chega.
Mas, como em tudo, também há o lado bom do Natal. Parece que nesta altura do ano estamos mais abertos a ajudar, se calhar porque notamos que somos, todos os dias, bafejados pela felicidade. Talvez sejamos, como diz Zé Miguel, "crápulas que têm a sorte de poder ter a vida que têm gozando ainda do previlégio de dela se poder queixar" e notemos que podemos ser úteis e deixemos de olhar só para o nosso umbigo, só durante meia dúzia de dias. Ou porventura esta é a altura do ano em que a vozinha da consciência grita mais alto, porque observamos os contrastes, que estão mais acentuados que nunca.
Por isso, faço minhas as palavras de Possidónio Cachapa, "...Bem-aventurados: (...) os que se voluntarizam todo o ano para encontrar roupas, comidas e palavras de reconforto e levam tudo isso aos vãos de escada húmidos, tresandando a urina; (...) os que irão morrer por estarem algures no mundo a dar vacinas e a meter colheres de alimentos na boca de crianças com a face coberta de moscas, enquanto à sua volta, famintos desconfiados discorrem sobre o que fará este estrangeiro no meio deles e se será muito difícil estrangulá-los e fugir com o seu relógios que parece valioso. Bem-aventurados os que amam... Porque deles, deveria ser o Reino da Terra...".
Pespegado por andré pelas 23:58 0 Tropeções
"Talvez não haja razão nenhuma e todo eu seja demência, ou urgência, não sei…
Talvez não sejas tu, nem seja eu, nem tenhamos nós que existir.
Talvez devesse simplesmente deixar fugir o momento, em que dentro de ti navego e sonho e acordo a rir.
Talvez tu não sejas mais do que tudo aquilo que a minha imaginação quis criar.
E não sejas bom nem mau, não sejas forte nem fraco, não tenhas por dentro tanto além daquilo que eu vejo por fora (e que, aqui entre nós, é pouco…).
Talvez a razão não me acompanhe nesta viagem e eu percorra a estrada apenas como um louco, sem pequenas questões nem grandes respostas.
E então, poderão perguntar-me:
- Mas afinal, porque gostas?
Talvez eu nesse instante possa responder que é justamente
esse não sei quê, que nasce não sei quando, vem não sei como e dói não sei porquê que me faz acreditar."
Pespegado por andré pelas 22:38 2 Tropeções
A partir de hoje, vou falar por mim. Vou deixar de ter receio de dizer o que acho, mesmo que isso possa estar (ou parecer) extraordinariamente incorrecto para os outros. Defender a minha opinião, aquilo em que acredito, ser honesto com os outros, mas acima de tudo para comigo.
Pespegado por andré pelas 00:41 0 Tropeções
Em certas ocasiões, escolher é uma coisa tão fácil; dizer se preferimos o azul ou o verde, decidir entre carne ou peixe, ou ser ainda mais diferente e optar por ser vegetariano. No entanto, nenhuma destas escolhas nos perturba, não nos tira o sono, não nos cria aquele aperto no estômago, (ou, para os mais românticos, no coração) que nos faz sentir impotentes quando temos de fazer certas decisões que irão afectar a nossa passagem/passeio/deambulação, por este lugar que chamamos Terra.
As questões difíceis são aquelas que surgem do meio do nada, quando não temos problemas à vista, quando está tudo óptimo e que, quando aparecem, são lixadas. É aquela pergunta que nunca tivemos coragem de responder, que subconscientemente fomos esquecendo e que, na verdade, nos dava muito jeito que continuasse sem resposta. Porque sabemos que temos de dizer alguma coisa. Porque estas respostas são capazes de deitar muros a baixo, destruir fortalezas, conquistar multidões.
Não estou a dizer que as coisas estão erradas, que fugir é uma má solução. Porque no fundo é uma solução. Simplesmente não "a solução".
E no fim, olhamos para caminho percorrido e aí sobra-nos o silêncio e o saudosismo.
Por isso, podemos ir para onde quisermos, só temos mesmo é de escolher.
Pespegado por andré pelas 23:05 0 Tropeções
Para onde é que corremos?
E já agora, porque fazemos da vida uma corrida, se ninguém quer chegar ao fim em primeiro? Quer dizer, eu não quero chegar ao fim em primeiro, porventura haverá aqueles que a querem terminar o mais depressa possível e os outros querem simplesmente fazê-la, sem propósito definido, sem percurso ou objectivos.
Mas quem sou eu para dizer isto? Se calhar estou a alucinar. A vida não é uma corrida; é mais um passeio ou uma viagem de comboio, ou pelo menos deve ser assim encarada. De forma calma, observar a paisagem e a maneira como esta se transforma com o passar do tempo. Contemplar os baloiços que outrora foram nossos e que baloiçavam de tal maneira que pensávamos que poderíamos tocar no céu, se balançássemos só com um pouco mais de força. Olhar para trás e notar quão ingénuos eramos, que nunca pensámos em como seria o futuro, pelo menos em termos realistas.
Mas o que sabe um puto de tudo isto?
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Porque de Sophia de Mello Breyner Andresen
"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."
...e acrescento eu:
Porque hoje quis escrever,
Mas o sol não brilhou.
Porque hoje quis saltar,
Mas alguém me acorrentou.
Porque hoje quis ser encontrado,
Mas nunca ninguém me procurou.
Porque hoje quis sorrir,
Mas algo... tudo mudou...
Pespegado por andré pelas 18:28 1 Tropeções